ANÁLISE E AVALIAÇÃO DOS SERVIÇOS BANCÁRIOS EM ANGOLA – MOBILE E INTERNET BANKING

Antes do surgimento das novas Tecnologias de Informação e de Comunicação (TIC) no início dos anos noventa do século passado, os bancos, no exercício da sua atividade tradicional de captação de clientes, recursos e concessão de crédito às famílias e às economias, foram sempre movidos pela ideia de que, para se vencer a concorrência era necessário estar mais próximo dos clientes

Em Angola, com base na Lei das Instituições Financeiras, em 1991 iniciou-se a implementação de um sistema bancário de dois níveis, o Banco Nacional de Angola passou a exercer a função de Banco Central, consagrado como autoridade monetária, agente da autoridade cambial e separado das funções comerciais. O Banco Nacional de Angola deixou de abrir contas de depósitos tanto em moeda local como em moeda estrangeira e iniciou-se a implementação de um programa de cessação de actividades comerciais em Luanda. Foram igualmente introduzidos os primeiros instrumentos de política monetária, nomeadamente as reservas obrigatórias e aumentadas as taxas de juros.

O sistema bancário nacional passou assim a ser composto para além do BNA, por dois Bancos comerciais angolanos constituídos sob forma de sociedades anónimas de capitais públicos – o Banco de Poupança e Crédito (BPC; ex- Banco Popular de Angola – BPA) e o Banco de Comércio e Indústria (BCI). O sistema bancário nacional contava ainda com a CAP – Caixa de Crédito Agro – Pecuária e Pescas, uma instituição com o objetivo de apoiar a expansão da capacidade produtiva dos sectores agrícola e piscatório e, desse modo, proporcionar o aumento da oferta de produtos essenciais, cuja rede foi substancialmente alargada em 1996 com a transferência, pelo BNA, da sua extensa rede comercial para aquela instituição. A partir de 1993, foi autorizada a constituição das seguintes sucursais de bancos portugueses: – Banco Totta e Açores (BTA) – Banco de Fomento Exterior (BFE) – Banco Português do Atlântico (BPA).

Atualmente, e de acordo com a regulamentação em vigor, o sistema bancário nacional é constituído por várias instituições bancárias de capital nacional e estrangeiro, muitos dos quais se constituíram em bancos de direito angolano.

Internet Banking

A possibilidade que as empresas, especialmente instituições bancárias, têm hoje de disponibilizar os seus serviços e produtos num dispositivo móvel, pode promover a 24 redução de custos e o aumento da eficácia produtiva.

Apesar dos grandes avanços tecnológicos, com especial destaque a Internet, e das vantagens da sua utilização, pelos consumidores e não só, o mercado angolano enfrenta atualmente enormes desafios no que diz respeito ao usufruto destas vantagens para o bem da satisfação dos consumidores dos vários produtos e serviços.

Segundo dados publicados por Menos Fios, um serviço de informação direcionado à área de tecnologia, no seu site www.menosfios.com, em Angola apenas 10,2% dos angolanos tinha acesso à Internet em 2014, o que significa que em cada 10 angolanos, apenas 1 tinha acesso à Internet, num universo de 25.789.024 habitantes*. Segundo a mesma fonte, apenas 37,5% dos angolanos acima dos 4 anos tinham acesso a telefone móvel e somente 9,9% faziam uso do computador.

Para a otimização dos serviços bancários, os bancos angolanos têm investido em novas tecnologias de informação e comunicação, com vista a satisfazerem as exigências dos consumidores bancários, movidos pela influência inevitável da globalização e de um mundo cada vez mais digital.

Antes de se tornarem amplamente disseminadas, todas essas tecnologias foram, em algum momento, fruto de uma visão de futuro. O home banking foi tentado de diversas maneiras pelos bancos desde o aparecimento dos microcomputadores. Até o início da década de 90, do século passado, muitos críticos acreditavam que não haveria procura para esse tipo de serviço, até que com a disseminação da internet os clientes aderiram massivamente ao acesso bancário feito através dos seus computadores. Tendência essa que foi recentemente potenciada fruto da pandemia COVID-19, em que as pessoas se viram confinadas e a sua interação com a maioria dos serviços passou a ser feita de forma digital. Esta tendência fica patente, em Angola, se analisarmos a evolução do número de operações realizadas através do home banking, que passaram de 153 752, em 2015, para 10 684 769 em 2020 (segundo dados da EMIS).

Apesar de todos esses avanços tecnológicos, a banca angolana depara-se com uma série de constrangimentos, sendo que a introdução de novos processos de natureza tecnológica poderia simplificar e melhorar algumas actividades diárias dos bancos, nomeadamente:

• Interacção personalizada dos bancos com os seus clientes: cada cliente é único e a oferta de produtos e serviços pode ser também única e direcionada para cada cliente;

• Agilidade, rapidez e segurança acrescida na forma como se transfere dinheiro para outros bancos;

• Análise de risco para contratação de crédito dos clientes mais rápida, menos burocrática e evitando papel;

• Desmaterialização do dinheiro físico em digital: mais limpo e seguro; • Simplificação ‘disruptiva’ da forma como se licencia a compra de moeda estrangeira e se efectuam créditos documentários.

A segurança e a confiança são itens indissociáveis do negócio bancário digital, portanto enfrentam-se  novos desafios com a disseminação do ambiente de convergência digital. Seja pela perspectiva das novas ferramentas tecnológicas utilizadas, seja pelo crescente volume de usuários recém-chegados ao sistema financeiro. Os bancos enfrentarão desafios únicos por forma a garantirem um ambiente seguro para a realização de transações financeiras, o que exigirá um esforço adicional em matéria de capacitação de recursos humanos. Em suma, verifica-se uma dinâmica de constante evolução do uso de tecnologia fortemente influenciada pela visão de futuro e cuja base para a evolução do sector bancário assenta na capacidade das pessoas em adaptar essas tecnologias ao negócio bancário e de elas próprias evoluírem e assegurar uma adequada capacitação.

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