Efeitos da inflação no bolso do angolano entre 2010 à 2021

inflação é um termo da economia utilizado para designar o aumento geral dos preços na sociedade e é grandemente causada pelo aumento do custo de produção, mas também, apesar de poucos mencionarem tem origem no excesso de moeda em circulação, representando o aumento do custo de vida para o consumidor e para as empresas, resultando na elevação dos preços dos produtos e serviços e na consequente desvalorização da moeda, o que reduz o poder de compra.

Quando notamos que vários produtos são mais caros hoje do que eram antes, significa que os seus preços estão inflacionados. Normalmente, esse processo não costuma atingir de modo permanente o consumidor, pois os reajustes nos salários visam, sobretudo, o acompanhamento das taxas de inflação, mas num país como Angola, onde a inflação cresce a valores absurdamente incontroláveis fica impossível contar com reajustes salariais aos mesmos níveis. Algumas empresas tentam bonificar os seus funcionários de maneira anual, mas estas representam menos de 5% e se mantêm longe da justiça necessária.

Os maus gastos públicos e a subida no custo de produção contribuem grandemente para o aumento da inflação em Angola. Sendo um país onde o combate a corrupção é uma prioridade da governação e a produção nacional representa menos da metade do que se comercializa e se consome localmente, o resultado parece óbvio.

Existem vários índices para medir a inflação, mas o que mais afecta o cidadão comum é oIPCN (Índice de Preços ao Consumidor Nacional) por representar as famílias com rendas mais baixas. É inexorável expor que apesar da inflação afectar todo o angolano, ela não impacta do mesmo jeito.

Quem mora em Luanda sempre sentiu um impacto mais severo da inflação, no entanto, os preços de alguns produtos básicos ainda são mais baratos na capital do que nalgumas partes do interior do país e as oportunidades de emprego e de geração de renda são igualmente inferiores no interior, o que faz com que na maior parte do país seja insustentável ter alguma estabilidade constante.

Entre o ano de 2010 e 2014 verificamos um processo de deflação na economia nacional, pois durante esse período a inflação anual caiu de 15,31% a 7,48%. É necessário compreender que uma deflação tão acentuada é diferente de uma desinflação, pois isso representa que os consumidores foram comprando menos e as empresas foram forçadas de certa forma a reduzir preços, gerando uma retração da economia. No entanto, quem detém de poderio financeiro sempre aproveita esses períodos para aquisições de activos

De 2015 a 2020 verificamos vários intervalos e momentos difíceis para o angolano, tendo a inflação atingido 41,95% no ano de 2016, representando o índice mais alto da década.

Se comparados a outros países como por exemplo a Inglaterra, no mesmo período, a inflação acumulada em Angola foi de 247,93% enquanto a Inglaterra teve apenas 13,80%.

De forma concreta é necessário compreender que a cada ano o valor do dinheiro em Angola se perde e durante muito tempo a solução foi a compra de imóveis como meio de preservação de capital, mas a verdade é que o mercado imobiliário não tem pernas para acompanhar o ritmo de um mercado que inflacionou mais de 600% entre 2010 à 2021, e portanto, os imóveis são negociados abaixo do seu valor ao longo dos anos.

Se você tivesse deixado 1 milhão de kwanzas guardados numa conta a ordem em 2010 e o retirasse no início de 2021, este dinheiro valeria menos 82,26% do que no início da década passada, comprando o mesmo que 177.400 kzs compravam naquela altura.

É inegociável que o angolano invista o seu dinheiro em produtos rentáveis, ainda que se necessário corra um pouco de risco, ou no caso de ser mais conservador, faça a alocação de uma parte dos seus recursos numa moeda ou economia mais estável.

Publicado por Euclides Francisco

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